por Thais Bloise *
Foto: Divulgação
.
O bate-papo teve início com a jornalista e crítica gastronômica Danusia Bárbara lendo um texto sobre os chefes onde em resumo diz que " chefes são artistas que se ocupam de criar novos e saborosos pratos e que são eles que normalmente ficam o dia inteiro em um restaurante mas chegam em casa morrendo de fome e quando abrem a geladeira não há absolutamente nada para se comer e então vão dormir de barriga vazia".
"Porque a culinária virou uma questão de homens de um tempo pra cá?", foi o tema em debate. De acordo com Flavia Quaresma, nos anos 90, onde as mulheres começam a ser independentes, na França elas não ocupavam cargos de importância e não poderiam ser chamadas de chef, eram chamadas de mère, mãe na língua francesa, pois a figura de mãe e/ou avó se relaciona diretamente com qualquer pessoa em seus primeiros passos culinários. Culturalmente, a mulher sempre foi a primeira a ir para a cozinha no seu dia-a-dia e o homem teve a curiosidade de experimentar.Todos concordaram que um prato feito por uma mulher e um prato feito por um homem não se difere por causa do sexo e sim de pessoa para pessoa porque cada um dá seu toque especial na comida independente do sexo.
Um dos seus livros "Saboreando Mudanças: O Poder Terapêutico Dos Alimentos-Dicas e Receitas" saiu depois que, a médica-nutróloga, Jane Corona, insistiu para que Flávia comesse soja algo que ela assumiu nunca ter comido antes. A partir dessa quebra de preconceito vivido por Quaresma, ela resolveu nos contar um fato ocorrido em seu restaurante. Uma cliente ao solicitar a presença de Flávia a mesa, pediu para ela preparar um prato que só não poderia ter beringela pois era algo que a senhora não suportava. Muito atarefada, Flávia não se lembrou do fato e serviu a senhora um purê de beringela, ao final a cliente elogiou muito o prato e quis saber do que era, foi quando a Chef não sabia se inventava algo ou falava a verdade, acabou por falar a verdade e a senhora saiu muito satisfeita do restaurante.
A platéia participou fazendo algumas perguntas, uma delas foi: - “Que dica você daria para quem está iniciando uma carreira gastronômica?”.
Para o chef Evaldo Abineder, primeiro é necessário que se goste de cozinhar, ter dedicação máxima aos estudos pois o trabalho com o cliente deve ser um troca intensa. Já para Flávia Quaresma, “não é um ramo de glamour e acho que essas faculdades estão pecando ao ensinar pois já tive experiência com estagiários que não sabiam nem lavar uma louça e um chef deve saber tudo desde lavar a louça, cortar batatas, ralar cebola entre outras coisas”.
Quando perguntada em qual cidade brasileira a comida é melhor representada, Flávia Quaresma respondeu rapidamente: -"Na minha opinião, em Recife, lá as escolas levam a sério o que fazem, eles tem uma ótima retaguarda , não há a necessidade de sair alguém para que tenha uma renovação de chefes e o mais importante eles valorizam muito mais os ingredientes locais. O que eu vejo é que os brasileiros só dão valor ao nossos ingredientes quando eles são reconhecidos no exterior como estão sendo". Brincando, complementa: - " Se o Obama está comendo deve ser bom né?"
* aluna da eletiva cobertura jornalística de grandes eventos, campus Tijuca.
Nenhum comentário:
Postar um comentário