Bem Vindo!
A partir desta quinta-feira, 10 de setembro, e até o próximo dia 20, você vai ficar sabendo sobre o que está acontecendo na XIV BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO RIO DE JANEIRO, através desse blog, produzido pelos alunos de Jornalismo da Universidade Candido Mendes, campus Tijuca e Niterói, que estão no Riocentro, em Jacarepaguá, zona oeste da cidade.
Nossos repórteres estão percorrendo os 55 mil metros quadrados, em três pavilhões, e vão trazer para você as novidades desse grande evento literário, considerado um dos mais importantes do país.
Nestes 11 dias, são esperadas mais de 600 mil pessoas, 950 expositores que vão colocar mais de 100 mil títulos à disposição do público, além de 100 autores brasileiros e 18 internacionais. Destaques dos encontros literários, dicas de livros, promoções, entrevistas com autores, editores e personalidades do mundo cultural vão estar aqui, diariamente.
Se você vai à Bienal, confira antes, nesse blog, as dicas de nossos repórteres. Seja bem vindo, divirta-se e lembre-se que ler é e sempre será um melhor remédio contra todos os males!
André Luiz Cardoso
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domingo, 20 de setembro de 2009
“A política cabe dentro da literatura, mas a literatura não cabe na política”
Sérgio Rodrigues e Carlos Heitor Cony discutem sobre a relação política e literatura
*por Jéssica Souza da Silva
Esq/Dir: Sergio Rodrigues e Carlos Heitor Cony - Foto: Divulgação
No domingo, último dia da Bienal do Livro, o Espaço "Café Literário recebeu o jornalista Sergio Rodrigues autor do livro “Elza, a garota” (Nova Fronteira, 2009), que foi um gancho para o tema do debate :“A política entre a ficção e a realidade,” que teve como mediador o também jornalista e escritor Carlos Heitor Cony, com mediação de Marcelo Moutinho.
O livro de Sérgio Rodrigues conta a vida de Elvira Cupello Calônio, codinome Elza Fernandes assassinada em 1936 pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) sob comando de Luiz Carlos Prestes. Morte essa que foi apagada da história, tendo ele que utilizar seus recursos jornalísticos para capturar mais detalhes para produção do livro de ficção, gerando uma discussão em entorno de como a literatura reagiu nos momentos de repressão com foco maior no período do Golpe de 64. Cony se posiciona com orgulho de sua alienação no momento histórico. Sua justificativa está na sua formação humanista e declara que ”64 foi um fato humano e não político”, o curioso é que Cony foi julgado de alienado pelos partidários de esquerda e criticado pelos de direita da época.
Sérgio assume a postura de que a política é mutável e a literatura não. Explicando sua fala “a política cabe dentro da literatura, mas a literatura não cabe na política”, ela é muito mais abrangente e aberta, como jornalista, dá o exemplo a Folha de São Paulo que apoiou a ditadura abertamente e hoje é uma referência nos jornais atuais. Relata que a imprensa brasileira é muito dependente da política diferentemente da literatura.
Discutido também foi o duelo alienação e engajamento políticos esse duelo que para Sérgio é desnecessário, pois a qualidade de um texto não pode ser baseada puramente no engajamento que aquele escritor tem, onde a moda é hoje é ter “blogs” e “twittar” pela internet qualquer um pode escrever e ser bem sucedido nisso ou não. Para Cony vai mais além, defendendo a idéia que na essência o engajamento político é um “blefe” sendo ele artifício de escritores para sair do olimbo da literatura e renascerem. Engajamento político para ele é opção política e ideológica e nenhum romance faz essa abordagem.
No final do debate momento de perguntas da platéia, Cony e Sérgio são questionados quanto a possibilidade de bibliografar a vida de Sarney, de maneira engraçada ambos acharam que seria válido, mesmo Sérgio se negando a ser ele a fazê-lo. Escrever sobre a vida de personalidades que são ditas “ruins” não é trivial tendo em mente na memória de Cony somente a bibliografia de Hitler, não que ele tente compará-los, dizendo em tom de sarcasmo.
Ovacionados ao final do debate fica um estímulo à leitura mais também a escrita. Os textos se tornam bons a cada nova tentativa de se expressar o que se pensa sobre o mundo. Não ter uma bagagem político-ideológica não faz de você menos qualificado ou não para começar a escrever.
*Aluna da disciplína Cobertura Jornalística de Grandes Eventos, campus- Tijuca.
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Café Literário
Café Literário- A geografia dos afetos
Uma "viagem" com Marina Colasanti e Miguel Tavares na Bienal
*por Taísa Pereira Carneiro
Foto: Divulgação
Este bate- papo literário trouxe para Bienal Internacional do Livro dois escritores consagrados: Marina Colasanti (jornalista e ilustradora) e Miguel Souza Tavares ( advogado e jornalista), autores de sucessos como: “Eu Sozinha” e “O Equador”, respectivamente. A proposta da conversa foi abordar a temática da influência da viagem na escrita, de como a geografia interfere na literatura em geral e como se dá o processo individual de criação de um livro. O encontro contou com a presença da mediadora Maria Araújo que, dentre outras, intercalava a conversa com perguntas que a platéia encaminhava aos autores.
Para Colasanti, viajar faz parte de sua vida há muitos anos, tendo já morado em diversos países, mas ela afirma que nem por isso se sente perdida ou ‘ desenraizada’: “Estou enraizada em vários lugares, tenho muitas raízes (...) viajar é característica de quem ama deslocar-se, sentir-se estranho”, completou. Também para Tavares, viajar sempre foi um prazer em sua vida: “Gostava muito de viajar e escrever. Me perguntaram um dia se eu viajava para escrever ou escrevia para viajar. E eu ainda não sei...”, brincou. O autor confirma a influência de experiências de viagens na construção de suas histórias e de seus personagens. “O que eu faço é tentar recordar, sentar em frente ao computador e lembrar...”, explicou.
Sobre o processo criativo em si, os autores adotam diferentes técnicas. Marina, que dentre seus estilos, escreve contos, disse estabelecer um tempo de estudo, ou, em suas próprias palavras “um período de gestação”, uma pauta de tudo que pretende tratar antes de sentar para escrever. “Só depois de ter esse esquema elaborado eu começo a escrever, tenho que desenvolver assim para ser coerente com o tema”, contou. Já para Miguel, apesar de concordar que deve haver uma disciplina muito grande e diária, diz saber o destino das suas histórias desde o início. Segundo o autor, os livros que lhe deram mais trabalho foram os infantis que escreveu, pois foi preciso recriar a criança em si e pensar como criança novamente. “Acho importante conseguir escrever de forma mais simples, é um exercício de voltar a ser criança muito importante”, afirma. Mas ressalta que a grande mágica da boa escrita está numa combinação de “Vontade de escrever, Disciplina e Inspiração”. Sendo a inspiração um elemento muito ambíguo, ele completa citando Picasso: “Espero quando a minha inspiração chegar, me encontre por lá”, brincou.
O bate- papo foi finalizado com a concepção de felicidade, ou seja, o que cada um entende sobre a questão. Marina Colasanti acredita que a felicidade é algo que todos almejam: “A felicidade não é um compromisso, é uma meta de todo mundo”. Para Miguel Tavares “ser livre e ser feliz são as coisas mais importantes na vida” e completou: “Viver é um privilégio!”
* Aluna da disciplina Cobertura Jornalística de
Grandes Eventos, campus - Niterói.
*por Taísa Pereira Carneiro
Foto: Divulgação
Este bate- papo literário trouxe para Bienal Internacional do Livro dois escritores consagrados: Marina Colasanti (jornalista e ilustradora) e Miguel Souza Tavares ( advogado e jornalista), autores de sucessos como: “Eu Sozinha” e “O Equador”, respectivamente. A proposta da conversa foi abordar a temática da influência da viagem na escrita, de como a geografia interfere na literatura em geral e como se dá o processo individual de criação de um livro. O encontro contou com a presença da mediadora Maria Araújo que, dentre outras, intercalava a conversa com perguntas que a platéia encaminhava aos autores.
Para Colasanti, viajar faz parte de sua vida há muitos anos, tendo já morado em diversos países, mas ela afirma que nem por isso se sente perdida ou ‘ desenraizada’: “Estou enraizada em vários lugares, tenho muitas raízes (...) viajar é característica de quem ama deslocar-se, sentir-se estranho”, completou. Também para Tavares, viajar sempre foi um prazer em sua vida: “Gostava muito de viajar e escrever. Me perguntaram um dia se eu viajava para escrever ou escrevia para viajar. E eu ainda não sei...”, brincou. O autor confirma a influência de experiências de viagens na construção de suas histórias e de seus personagens. “O que eu faço é tentar recordar, sentar em frente ao computador e lembrar...”, explicou.
Sobre o processo criativo em si, os autores adotam diferentes técnicas. Marina, que dentre seus estilos, escreve contos, disse estabelecer um tempo de estudo, ou, em suas próprias palavras “um período de gestação”, uma pauta de tudo que pretende tratar antes de sentar para escrever. “Só depois de ter esse esquema elaborado eu começo a escrever, tenho que desenvolver assim para ser coerente com o tema”, contou. Já para Miguel, apesar de concordar que deve haver uma disciplina muito grande e diária, diz saber o destino das suas histórias desde o início. Segundo o autor, os livros que lhe deram mais trabalho foram os infantis que escreveu, pois foi preciso recriar a criança em si e pensar como criança novamente. “Acho importante conseguir escrever de forma mais simples, é um exercício de voltar a ser criança muito importante”, afirma. Mas ressalta que a grande mágica da boa escrita está numa combinação de “Vontade de escrever, Disciplina e Inspiração”. Sendo a inspiração um elemento muito ambíguo, ele completa citando Picasso: “Espero quando a minha inspiração chegar, me encontre por lá”, brincou.
O bate- papo foi finalizado com a concepção de felicidade, ou seja, o que cada um entende sobre a questão. Marina Colasanti acredita que a felicidade é algo que todos almejam: “A felicidade não é um compromisso, é uma meta de todo mundo”. Para Miguel Tavares “ser livre e ser feliz são as coisas mais importantes na vida” e completou: “Viver é um privilégio!”
* Aluna da disciplina Cobertura Jornalística de
Grandes Eventos, campus - Niterói.
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"As mulheres são mestras em complicar a vida"
Escritora afirma que o grande desafio é ter mulheres e homens lidando bem com as “complicações da existência”.
Por Ronaldo Mendonça *
Foto: Ronaldo Mendonça
No dia da abertura da Bienal, 10 de setembro, a jornalista e escritora Leila Ferreira estava com sua assessora, Verônica Papoula, à busca do espaço Mulher e Ponto. Dali a cerca de meia hora teria início a palestra "O Livro na Bolsa - Dicas de escritoras ganham espaço nas estantes". Sonia Biondo iria mediar a encontro do qual também faria parte a também escritora e jornalista Danusa Leão.
Leila escreveu o livro "Mulheres: Por que será que elas?..." onde, após entrevistar mais de 50 mulheres, ela conta histórias e depoimentos que ouviu em vários lugares, desde bares até cabeleireiros. Com a contra-capa escrita pela sua colega de debate naquela tarde, a escritora aborda no livro os temas da atualidade exatamente sob a ótica da mulher de hoje.
Aproveitei a oportunidade para saudá-la e rapidamente falar com ela a respeito do tema, cada vez mais difundido na mídia. Eis a conversa com Leila Ferreira:
Ronaldo Mendonça: Já vi que o foco é em conselhos femininos. Se você fosse destacar agora, qual o grande conselho que você pode dar para uma mulher que está hoje na Bienal?
Leila Ferreira: Conjugar 24 horas por dia o verbo "descomplicar". As mulheres são mestras em complicar a vida. A gente complica tudo, dos 26 tipos de shampoo para cabelo até as 25 qualidades inexistentes que a gente procura num homem, que sofre para tentar nos atender. Até fazer 12 coisas ao mesmo tempo quando duas já estariam de bom tamanho. Eu acho que nós, mulheres, não seremos livres enquanto a gente não aprender a descomplicar. Essa é a maior lição que a gente tem a aprender com os homens.
RM: Então nós somos descomplicados?
LF: Vocês são descomplicados...
RM: Somos práticos, então?
LF: Às vezes exageradamente descomplicados (risos) porque às vezes vocês descomplicam e a complicação vem para a gente. Eu acho que o grande desafio é: homens e mulheres encontrarem o ponto do equilíbrio para lidar com as complicações da existência. Sabiamente e, se possível, com leveza.
Clique no player abaixo para ouvir a entrevista.
No caso de conexões mais lentas é só aguardar o carregamento do áudio.
(Se não aparecer o player, você precisará ter o Adobe Flash Player instalado. Acesse: http://get.adobe.com/br/flashplayer).
Você pode conhecer um pouco mais sobre Leila Ferreira em seu sítio na Internet: http://www.leilaferreira.com.br/.
* Aluno da eletiva Cobertura Jornalística de Grandes Eventos, UCAM, Campus Tijuca.
.
Por Ronaldo Mendonça *
Foto: Ronaldo Mendonça
Leila escreveu o livro "Mulheres: Por que será que elas?..." onde, após entrevistar mais de 50 mulheres, ela conta histórias e depoimentos que ouviu em vários lugares, desde bares até cabeleireiros. Com a contra-capa escrita pela sua colega de debate naquela tarde, a escritora aborda no livro os temas da atualidade exatamente sob a ótica da mulher de hoje.
Aproveitei a oportunidade para saudá-la e rapidamente falar com ela a respeito do tema, cada vez mais difundido na mídia. Eis a conversa com Leila Ferreira:
Ronaldo Mendonça: Já vi que o foco é em conselhos femininos. Se você fosse destacar agora, qual o grande conselho que você pode dar para uma mulher que está hoje na Bienal?
Leila Ferreira: Conjugar 24 horas por dia o verbo "descomplicar". As mulheres são mestras em complicar a vida. A gente complica tudo, dos 26 tipos de shampoo para cabelo até as 25 qualidades inexistentes que a gente procura num homem, que sofre para tentar nos atender. Até fazer 12 coisas ao mesmo tempo quando duas já estariam de bom tamanho. Eu acho que nós, mulheres, não seremos livres enquanto a gente não aprender a descomplicar. Essa é a maior lição que a gente tem a aprender com os homens.
RM: Então nós somos descomplicados?

LF: Vocês são descomplicados...
RM: Somos práticos, então?
LF: Às vezes exageradamente descomplicados (risos) porque às vezes vocês descomplicam e a complicação vem para a gente. Eu acho que o grande desafio é: homens e mulheres encontrarem o ponto do equilíbrio para lidar com as complicações da existência. Sabiamente e, se possível, com leveza.
Clique no player abaixo para ouvir a entrevista.
No caso de conexões mais lentas é só aguardar o carregamento do áudio.
(Se não aparecer o player, você precisará ter o Adobe Flash Player instalado. Acesse: http://get.adobe.com/br/flashplayer).
Você pode conhecer um pouco mais sobre Leila Ferreira em seu sítio na Internet: http://www.leilaferreira.com.br/.
* Aluno da eletiva Cobertura Jornalística de Grandes Eventos, UCAM, Campus Tijuca.
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Café Literário
sábado, 19 de setembro de 2009
No Café Literário com Larry Rother e Roberto Damatta
Em Debate: Brasil, EUA, Patriotismo e Racismo
* por Paula Corrêa
Foto: Divulgação
Nestes últimos dias de Bienal um encontro no Café Literário chamou bastante atenção do público presente ao Riocentro: um debate sobre Ficções e Realidades nas Visões de Brasil e EUA. Os convidados nada mais eram que: Larry Rother, jornalista americano residente no Brasil por ser casado com uma brasileira e Roberto Damatta, antropólogo e professor da Universidade de Notre Dame nos EUA. Na mediação do debate, a jornalista Regina Zappa.
As diferentes impressões vivenciadas entre um jornalista e um antropólogo puderam ser distinguidas ao rolar da troca de experiências, tendo como ponto comum a visão que as pessoas têm de fora – antropólogo - e dos que vivenciam –jornalistas-, citado por Rother.
A primeira pergunta que deu inicio ao debate foi: Quais foram as primeiras impressões dos convidados sobres os respectivos países.
Rother – Sua primeira impressão do Brasil foi no ano de 1972, percebendo o abismo entre os países, descobriu o Brasil paralelo contendo uma cultura que resistia a ditadura, caracterizando como uma sociedade distante e ao mesmo tempo presente durante a crise.
Damatta: No ano de 1963, esteve nos EUA e pelo igualitarismo absoluto e prussiano americano, pode perceber o controle do governo na sociedade, assim como uma diferente postura dos cidadãos americanos seja na pontualidade como o cumprimento das leis, filas. Na organização em geral, a lei torna-se primordial.
Rother afirma que há uma maior conscientização com o próximo americano. Apesar da frieza e do individualismo serem características dos cidadãos. Para Damatta, o individualismo torna-se um valor e a solidão uma norma.
Ao tratarem das experiências no trânsito, ambos concordam que no Brasil, há uma dificuldade em compreender o outro nas situações cotidianas. Para Damatta, deveria haver um “treinamento” para esse outro lado da igualdade. No Brasil, o ponto positivo seria a convivência e uma diálogo mais fácil entre o povo brasileiro. Nos EUA o senso de coletividade, uma percepção do outro sendo do mesmo país. Já com os estrangeiros haveria um estranhamento. E os limites são respeitados pelos americanos. “Somos todos iguais perante a lei”.
Para Larry, após seu casamento, viu um entrosamento maior na cultura brasileira podendo assim identificar as marcas que os dois países carregam em relação ao racismo. Damatta tem uma visão de que o racismo no Brasil é confundido como um problema de desigualdade social. Admitir que o problema existe, segundo ele, é o primeiro passo para assim enfrentar o problema com mais honestidade e franqueza. Para os governantes do Brasil ainda se trata de um problema de classes, e não de racismo, ou seja, não admitem que o país comporta uma sociedade racista.
*Aluna da disciplina Cobertura Jornalística de
Grandes Eventos, campus - Niterói.
* por Paula Corrêa
Foto: Divulgação
Nestes últimos dias de Bienal um encontro no Café Literário chamou bastante atenção do público presente ao Riocentro: um debate sobre Ficções e Realidades nas Visões de Brasil e EUA. Os convidados nada mais eram que: Larry Rother, jornalista americano residente no Brasil por ser casado com uma brasileira e Roberto Damatta, antropólogo e professor da Universidade de Notre Dame nos EUA. Na mediação do debate, a jornalista Regina Zappa.
As diferentes impressões vivenciadas entre um jornalista e um antropólogo puderam ser distinguidas ao rolar da troca de experiências, tendo como ponto comum a visão que as pessoas têm de fora – antropólogo - e dos que vivenciam –jornalistas-, citado por Rother.
A primeira pergunta que deu inicio ao debate foi: Quais foram as primeiras impressões dos convidados sobres os respectivos países.
Rother – Sua primeira impressão do Brasil foi no ano de 1972, percebendo o abismo entre os países, descobriu o Brasil paralelo contendo uma cultura que resistia a ditadura, caracterizando como uma sociedade distante e ao mesmo tempo presente durante a crise.
Damatta: No ano de 1963, esteve nos EUA e pelo igualitarismo absoluto e prussiano americano, pode perceber o controle do governo na sociedade, assim como uma diferente postura dos cidadãos americanos seja na pontualidade como o cumprimento das leis, filas. Na organização em geral, a lei torna-se primordial.
Rother afirma que há uma maior conscientização com o próximo americano. Apesar da frieza e do individualismo serem características dos cidadãos. Para Damatta, o individualismo torna-se um valor e a solidão uma norma.
Ao tratarem das experiências no trânsito, ambos concordam que no Brasil, há uma dificuldade em compreender o outro nas situações cotidianas. Para Damatta, deveria haver um “treinamento” para esse outro lado da igualdade. No Brasil, o ponto positivo seria a convivência e uma diálogo mais fácil entre o povo brasileiro. Nos EUA o senso de coletividade, uma percepção do outro sendo do mesmo país. Já com os estrangeiros haveria um estranhamento. E os limites são respeitados pelos americanos. “Somos todos iguais perante a lei”.
Para Larry, após seu casamento, viu um entrosamento maior na cultura brasileira podendo assim identificar as marcas que os dois países carregam em relação ao racismo. Damatta tem uma visão de que o racismo no Brasil é confundido como um problema de desigualdade social. Admitir que o problema existe, segundo ele, é o primeiro passo para assim enfrentar o problema com mais honestidade e franqueza. Para os governantes do Brasil ainda se trata de um problema de classes, e não de racismo, ou seja, não admitem que o país comporta uma sociedade racista.
*Aluna da disciplina Cobertura Jornalística de
Grandes Eventos, campus - Niterói.
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Encontro na Bienal discute diferenças entre Jornalismo e História
Isabel Lustosa e Laurentino Gomes no café literário
*Por Thaysa Rocha
Isabel Lustosa, Laurentino Gomes e Cristiane Costa - Fotos: Agência Gingafotos
O Café Literário presente na XIV edição da Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro trouxe nessa sexta-feira (18) um debate intitulado “Brasil ontem e hoje”. Presentes a historiadora Isabel Lustosa, autora do livro “D. Pedro I: Um herói sem nenhum caráter” e o jornalista Laurentino Gomes, autor do best-seller “1808”, que passou mais de dois anos na lista dos mais vendidos.
O foco ficou entre a diferença do historiador e do jornalista.
“Quando o historiador se dedica a uma pesquisa, é um especialista falando para outros. O jornalista quando faz sua reportagem, por exemplo, se direciona para um público mais amplo. A linguagem muda”, diz Laurentino.
“Seus públicos não são concorrentes. O leitor do best-seller pode ser o futuro leitor de obras mais especializadas, ele pode ter seu interesse despertado”, comentou Isabel. Lustosa.
Sobre a obrigatoriedade do diploma Laurentino diz que não muda nada, porque todos sempre tiveram sua liberdade de expressão, só que uns são mais preparados tecnicamente. E deu exemplos de formadores de opinião, como Machado de Assis.
Um exemplo da diferença dos tempos de ontem pra hoje fala: “A escravidão. Ontem era fonte de economia hoje é inaceitável”.
Laurentino compartilha da opinião: “Gosto mais da pesquisa do que escrever”. Mas explica: “A pesquisa você se empenha e o livro é mera consequencia”.
Quando perguntado se dá para viver de livro no Brasil, responde brincando: “Depende da idade que você tem”. Mas defende que o mercado editorial cresceu muito, mas não é todo mundo que consegue. Então deu a dica: “Você tem que avaliar o que você escreveu”. E uma das táticas mencionadas é esperar o momento adequado para o lançamento do livro. O momento suscetível do possível leitor.
Laurentino passou 10 anos pesquisando para escrever seu best-seller sobre a vinda da família real portuguesa ao Brasil e está para lançar em setembro de 2010 seu novo livro “1822” que levou dois a três anos de pesquisa.
* Aluna da disciplina Cobertura Jornalística de Grandes Eventos, campus Tijuca.
*Por Thaysa Rocha
Isabel Lustosa, Laurentino Gomes e Cristiane Costa - Fotos: Agência Gingafotos
O Café Literário presente na XIV edição da Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro trouxe nessa sexta-feira (18) um debate intitulado “Brasil ontem e hoje”. Presentes a historiadora Isabel Lustosa, autora do livro “D. Pedro I: Um herói sem nenhum caráter” e o jornalista Laurentino Gomes, autor do best-seller “1808”, que passou mais de dois anos na lista dos mais vendidos.
O foco ficou entre a diferença do historiador e do jornalista.
“Quando o historiador se dedica a uma pesquisa, é um especialista falando para outros. O jornalista quando faz sua reportagem, por exemplo, se direciona para um público mais amplo. A linguagem muda”, diz Laurentino.
“Seus públicos não são concorrentes. O leitor do best-seller pode ser o futuro leitor de obras mais especializadas, ele pode ter seu interesse despertado”, comentou Isabel. Lustosa.
Sobre a obrigatoriedade do diploma Laurentino diz que não muda nada, porque todos sempre tiveram sua liberdade de expressão, só que uns são mais preparados tecnicamente. E deu exemplos de formadores de opinião, como Machado de Assis.
Um exemplo da diferença dos tempos de ontem pra hoje fala: “A escravidão. Ontem era fonte de economia hoje é inaceitável”.
Laurentino compartilha da opinião: “Gosto mais da pesquisa do que escrever”. Mas explica: “A pesquisa você se empenha e o livro é mera consequencia”.
Quando perguntado se dá para viver de livro no Brasil, responde brincando: “Depende da idade que você tem”. Mas defende que o mercado editorial cresceu muito, mas não é todo mundo que consegue. Então deu a dica: “Você tem que avaliar o que você escreveu”. E uma das táticas mencionadas é esperar o momento adequado para o lançamento do livro. O momento suscetível do possível leitor.
Laurentino passou 10 anos pesquisando para escrever seu best-seller sobre a vinda da família real portuguesa ao Brasil e está para lançar em setembro de 2010 seu novo livro “1822” que levou dois a três anos de pesquisa.
* Aluna da disciplina Cobertura Jornalística de Grandes Eventos, campus Tijuca.
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- Eletiva Cobertura de Grandes Eventos
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- Projeto Cobertura da XIV Bienal do Livro 2009
Programação
Veja a programação para este último dia de Bienal:
Café Literário - Pavilhão Azul
12:00
Literatura, delicadeza, ficções de si e dos outros
Flavio Carneiro, Michel Laub e Adriana Lunardi - Mediador: Marcelo Moutinho
14:00
História de vida e construção da assinatura de autor
Arnaldo Bloch, Luiz Ruffato e Antonio Torres - Mediador: Cristiane Costa
15:30
Os afetos familiares e a criação literária
Rodrigo Lacerda, Heloísa Seixas e Antonio Carlos Viana - Mediador: Rachel Bertol
17:00
A política entre a ficção e a realidade
Sérgio Rodrigues e Carlos Heitor Cony - Mediador: Marcelo Moutinho
18:30
A geografia dos afetos
Miguel Sousa Tavares e Marina Colasanti - Mediadora: Rosa Maria Araújo
20:00
Biografando a canção
Ruy Castro e Paulo César Araújo Mediadora : Guiomar de Grammont
Livro em Cena - Pavilhão Verde
16:30
Trechos de Clarice Lispector - A Descoberta do Mundo, A Paixão Segundo GH
Malu Mader
18:30
Trechos de Ferreira Gullar
Mariana Ximenes e Paulo José
Mulher e Ponto - Pavilhão Verde
17:00
Onde Foi Que Eu Errei? O papel do livro no debate das drogas e outros problemas na relação mãe e filho
Tânia Zagury e Angela Dutra - Mediadora : Sandra Moreyra
19:30
Mulher e Ponto Leitura e Prazer - A literatura erótica atrai a leitora?
Márcia Denser e Laura Meyer da Silva - Mediadora : Lucia Judice
======================
Café Literário - Pavilhão Azul
12:00
Literatura, delicadeza, ficções de si e dos outros
Flavio Carneiro, Michel Laub e Adriana Lunardi - Mediador: Marcelo Moutinho
14:00
História de vida e construção da assinatura de autor
Arnaldo Bloch, Luiz Ruffato e Antonio Torres - Mediador: Cristiane Costa
15:30
Os afetos familiares e a criação literária
Rodrigo Lacerda, Heloísa Seixas e Antonio Carlos Viana - Mediador: Rachel Bertol
17:00
A política entre a ficção e a realidade
Sérgio Rodrigues e Carlos Heitor Cony - Mediador: Marcelo Moutinho
18:30
A geografia dos afetos
Miguel Sousa Tavares e Marina Colasanti - Mediadora: Rosa Maria Araújo
20:00
Biografando a canção
Ruy Castro e Paulo César Araújo Mediadora : Guiomar de Grammont
Livro em Cena - Pavilhão Verde
16:30
Trechos de Clarice Lispector - A Descoberta do Mundo, A Paixão Segundo GH
Malu Mader
18:30
Trechos de Ferreira Gullar
Mariana Ximenes e Paulo José
Mulher e Ponto - Pavilhão Verde
17:00
Onde Foi Que Eu Errei? O papel do livro no debate das drogas e outros problemas na relação mãe e filho
Tânia Zagury e Angela Dutra - Mediadora : Sandra Moreyra
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