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Bem Vindo!

A partir desta quinta-feira, 10 de setembro, e até o próximo dia 20, você vai ficar sabendo sobre o que está acontecendo na XIV BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO RIO DE JANEIRO, através desse blog, produzido pelos alunos de Jornalismo da Universidade Candido Mendes, campus Tijuca e Niterói, que estão no Riocentro, em Jacarepaguá, zona oeste da cidade. Nossos repórteres estão percorrendo os 55 mil metros quadrados, em três pavilhões, e vão trazer para você as novidades desse grande evento literário, considerado um dos mais importantes do país. Nestes 11 dias, são esperadas mais de 600 mil pessoas, 950 expositores que vão colocar mais de 100 mil títulos à disposição do público, além de 100 autores brasileiros e 18 internacionais. Destaques dos encontros literários, dicas de livros, promoções, entrevistas com autores, editores e personalidades do mundo cultural vão estar aqui, diariamente. Se você vai à Bienal, confira antes, nesse blog, as dicas de nossos repórteres. Seja bem vindo, divirta-se e lembre-se que ler é e sempre será um melhor remédio contra todos os males! André Luiz Cardoso

domingo, 20 de setembro de 2009

“A política cabe dentro da literatura, mas a literatura não cabe na política”


Sérgio Rodrigues e Carlos Heitor Cony discutem sobre a relação política e literatura



*por Jéssica Souza da Silva



Esq/Dir: Sergio Rodrigues e Carlos Heitor Cony - Foto: Divulgação


No domingo, último dia da Bienal do Livro, o Espaço "Café Literário recebeu o jornalista Sergio Rodrigues autor do livro “Elza, a garota” (Nova Fronteira, 2009), que foi um gancho para o tema do debate :“A política entre a ficção e a realidade,” que teve como mediador o também jornalista e escritor Carlos Heitor Cony, com mediação de Marcelo Moutinho.

O livro de Sérgio Rodrigues conta a vida de Elvira Cupello Calônio, codinome Elza Fernandes assassinada em 1936 pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) sob comando de Luiz Carlos Prestes. Morte essa que foi apagada da história, tendo ele que utilizar seus recursos jornalísticos para capturar mais detalhes para produção do livro de ficção, gerando uma discussão em entorno de como a literatura reagiu nos momentos de repressão com foco maior no período do Golpe de 64. Cony se posiciona com orgulho de sua alienação no momento histórico. Sua justificativa está na sua formação humanista e declara que ”64 foi um fato humano e não político”, o curioso é que Cony foi julgado de alienado pelos partidários de esquerda e criticado pelos de direita da época.

Sérgio assume a postura de que a política é mutável e a literatura não. Explicando sua fala “a política cabe dentro da literatura, mas a literatura não cabe na política”, ela é muito mais abrangente e aberta, como jornalista, dá o exemplo a Folha de São Paulo que apoiou a ditadura abertamente e hoje é uma referência nos jornais atuais. Relata que a imprensa brasileira é muito dependente da política diferentemente da literatura.

Discutido também foi o duelo alienação e engajamento políticos esse duelo que para Sérgio é desnecessário, pois a qualidade de um texto não pode ser baseada puramente no engajamento que aquele escritor tem, onde a moda é hoje é ter “blogs” e “twittar” pela internet qualquer um pode escrever e ser bem sucedido nisso ou não. Para Cony vai mais além, defendendo a idéia que na essência o engajamento político é um “blefe” sendo ele artifício de escritores para sair do olimbo da literatura e renascerem. Engajamento político para ele é opção política e ideológica e nenhum romance faz essa abordagem.

No final do debate momento de perguntas da platéia, Cony e Sérgio são questionados quanto a possibilidade de bibliografar a vida de Sarney, de maneira engraçada ambos acharam que seria válido, mesmo Sérgio se negando a ser ele a fazê-lo. Escrever sobre a vida de personalidades que são ditas “ruins” não é trivial tendo em mente na memória de Cony somente a bibliografia de Hitler, não que ele tente compará-los, dizendo em tom de sarcasmo.

Ovacionados ao final do debate fica um estímulo à leitura mais também a escrita. Os textos se tornam bons a cada nova tentativa de se expressar o que se pensa sobre o mundo. Não ter uma bagagem político-ideológica não faz de você menos qualificado ou não para começar a escrever.

*Aluna da disciplína Cobertura Jornalística de Grandes Eventos, campus- Tijuca.
Postado por Administrador às domingo, setembro 20, 2009
Marcadores: Café Literário

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      Professor André Luiz Cardoso
      Projeto Cobertura da XIV Bienal do Livro 2009

  • Programação

    Veja a programação para este último dia de Bienal:

    Café Literário - Pavilhão Azul
    12:00
    Literatura, delicadeza, ficções de si e dos outros
    Flavio Carneiro, Michel Laub e Adriana Lunardi - Mediador: Marcelo Moutinho

    14:00
    História de vida e construção da assinatura de autor
    Arnaldo Bloch, Luiz Ruffato e Antonio Torres - Mediador: Cristiane Costa


    15:30
    Os afetos familiares e a criação literária
    Rodrigo Lacerda, Heloísa Seixas e Antonio Carlos Viana - Mediador: Rachel Bertol

    17:00
    A política entre a ficção e a realidade
    Sérgio Rodrigues e Carlos Heitor Cony - Mediador: Marcelo Moutinho

    18:30
    A geografia dos afetos
    Miguel Sousa Tavares e Marina Colasanti - Mediadora: Rosa Maria Araújo

    20:00
    Biografando a canção
    Ruy Castro e Paulo César Araújo Mediadora : Guiomar de Grammont


    Livro em Cena - Pavilhão Verde
    16:30
    Trechos de Clarice Lispector - A Descoberta do Mundo, A Paixão Segundo GH
    Malu Mader

    18:30
    Trechos de Ferreira Gullar
    Mariana Ximenes e Paulo José


    Mulher e Ponto - Pavilhão Verde
    17:00
    Onde Foi Que Eu Errei? O papel do livro no debate das drogas e outros problemas na relação mãe e filho
    Tânia Zagury e Angela Dutra - Mediadora : Sandra Moreyra

    19:30
    Mulher e Ponto Leitura e Prazer - A literatura erótica atrai a leitora?
    Márcia Denser e Laura Meyer da Silva - Mediadora : Lucia Judice



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