Nossa repórter entrevista antropólogo que deixa uma pergunta “no ar”
*por Paula Corrêa
*por Paula Corrêa
Foto: Divulgação
Após o debate no Café literário, quis conversar com alguém que só então tive contato nos livros e documentários. Foi emocionante o encontro com Roberto DaMatta, estava nervosa, pois nunca tinha tido a oportunidade de entrevistar alguém com tanto respaldo e conhecimento.
Fui atrás dele no momento em que ainda estavam batendo palmas pelo belíssimo bate-papo, que é o que realmente pareceu, me senti numa conversa entre amigos em que eu, e mais algumas pessoas eram intrusas. Respirei fundo e primeiramente pedi para tirar uma foto com ele. Ele, muito educado, disse que receberia a imprensa no stand da Rocco. Assim que o vi saindo, tratei de ficar logo atrás. Parecia uma perseguição. Consegui sentir a adrenalina, e expectativa de fazer milhões de perguntas que surgiam na mente.
Após ter chegado na salinha que parecia tão tranqüila, pois não tinha ninguém lá dentro, com ar condicionado e lanchinhos, me senti mais uma vez como uma intrusa, mas logo pensei: "jornalista é intruso". Respirei mais uma vez e olhei para aquela pessoa que parecia tão pequena mediante aos seus grandes feitos. Ele olhou para mim de volta e disse: A senhorita quer me perguntar algo? Eu, já tomada pela situação, disse que sim, e que seria breve. Só então quando sentei ao seu lado, disparei a primeira das duas perguntas que fiz. Como que ele compreendia o diálogo entre EUA e Brasil e quais eram as principais diferenças percebidas por ele, já que sua atuação no país era cotidiana. A resposta veio seguida do seu reclino sobre a cadeira. Percebi então que a resposta poderia ser longa. Ele ajeitou os óculos, e então disse que pelos países terem vivenciado e experimentado situações distintas, como na religião, na economia de mercado e por terem comportamentos diferentes, o diálogo entre eles poderia ser confuso. Os parâmetros tornam-se diferentes para ambas culturas, o diálogo era truncado para os americanos. Compartilhou também a “descriminação” que sofreu no inicio da sua vida acadêmica na Universidade em que dá aulas atualmente. Após três meses, seus colegas de trabalho descobriram que ele ganhava mais que alguns professores americanos, e assim percebeu uma diferença no tratamento que antes recebia. Para fazer, por exemplo, uma ligação interurbana teria que pagar, enquanto outros professores não o faziam. Cobravam mais aulas dele, sendo que em seu contrato somente constava duas por semana. Situações que poderiam parecer inofensivas, demonstravam para DaMatta uma inveja por ele ser de outra nacionalidade, ou até mesmo por ser brasileiro e de não ser tratado com inferioridade em relação aos americanos.
Após seu relato de como foi difícil seu inicio na faculdade americana, indaguei mais uma pergunta. Na visão de um antropólogo qual era o futuro que ele via para a cidade do Rio de Janeiro, após percebermos e vivenciarmos a predominação do eu, do egoísmo e do estado de calamidade em que se encontra a sociedade? Ele me olhou e disse que não via nenhum, e deu uma longa risada. Eu que já estava sem graça de interromper o seu lanchinho disse que não tinha entendido. E ele continuou rindo. Agradeci pelo tempo disponibilizado e pedi para tirar uma foto com ele. A conclusão que chego com a resposta dessa pergunta é: se nem um antropólogo, com todo seu conhecimento de mundo, de sociedades, de pessoas e olhares, conseguiu responder a essa pergunta, vejo que o nosso futuro, digo nosso porque somos nós que vivemos nesse estado, pode parecer mais assombroso do que a realidade em que vivemos. O que me deixa mais tranqüila é que ainda tenho esperanças de encontrar novamente com DaMatta e, assim, obter sua resposta. Quem sabe até lá ele não a terá.
* Aluna da disciplina Cobertura Jornalística de Grandes Eventos, campus – Niterói.
Após o debate no Café literário, quis conversar com alguém que só então tive contato nos livros e documentários. Foi emocionante o encontro com Roberto DaMatta, estava nervosa, pois nunca tinha tido a oportunidade de entrevistar alguém com tanto respaldo e conhecimento.Fui atrás dele no momento em que ainda estavam batendo palmas pelo belíssimo bate-papo, que é o que realmente pareceu, me senti numa conversa entre amigos em que eu, e mais algumas pessoas eram intrusas. Respirei fundo e primeiramente pedi para tirar uma foto com ele. Ele, muito educado, disse que receberia a imprensa no stand da Rocco. Assim que o vi saindo, tratei de ficar logo atrás. Parecia uma perseguição. Consegui sentir a adrenalina, e expectativa de fazer milhões de perguntas que surgiam na mente.
Após ter chegado na salinha que parecia tão tranqüila, pois não tinha ninguém lá dentro, com ar condicionado e lanchinhos, me senti mais uma vez como uma intrusa, mas logo pensei: "jornalista é intruso". Respirei mais uma vez e olhei para aquela pessoa que parecia tão pequena mediante aos seus grandes feitos. Ele olhou para mim de volta e disse: A senhorita quer me perguntar algo? Eu, já tomada pela situação, disse que sim, e que seria breve. Só então quando sentei ao seu lado, disparei a primeira das duas perguntas que fiz. Como que ele compreendia o diálogo entre EUA e Brasil e quais eram as principais diferenças percebidas por ele, já que sua atuação no país era cotidiana. A resposta veio seguida do seu reclino sobre a cadeira. Percebi então que a resposta poderia ser longa. Ele ajeitou os óculos, e então disse que pelos países terem vivenciado e experimentado situações distintas, como na religião, na economia de mercado e por terem comportamentos diferentes, o diálogo entre eles poderia ser confuso. Os parâmetros tornam-se diferentes para ambas culturas, o diálogo era truncado para os americanos. Compartilhou também a “descriminação” que sofreu no inicio da sua vida acadêmica na Universidade em que dá aulas atualmente. Após três meses, seus colegas de trabalho descobriram que ele ganhava mais que alguns professores americanos, e assim percebeu uma diferença no tratamento que antes recebia. Para fazer, por exemplo, uma ligação interurbana teria que pagar, enquanto outros professores não o faziam. Cobravam mais aulas dele, sendo que em seu contrato somente constava duas por semana. Situações que poderiam parecer inofensivas, demonstravam para DaMatta uma inveja por ele ser de outra nacionalidade, ou até mesmo por ser brasileiro e de não ser tratado com inferioridade em relação aos americanos.
Após seu relato de como foi difícil seu inicio na faculdade americana, indaguei mais uma pergunta. Na visão de um antropólogo qual era o futuro que ele via para a cidade do Rio de Janeiro, após percebermos e vivenciarmos a predominação do eu, do egoísmo e do estado de calamidade em que se encontra a sociedade? Ele me olhou e disse que não via nenhum, e deu uma longa risada. Eu que já estava sem graça de interromper o seu lanchinho disse que não tinha entendido. E ele continuou rindo. Agradeci pelo tempo disponibilizado e pedi para tirar uma foto com ele. A conclusão que chego com a resposta dessa pergunta é: se nem um antropólogo, com todo seu conhecimento de mundo, de sociedades, de pessoas e olhares, conseguiu responder a essa pergunta, vejo que o nosso futuro, digo nosso porque somos nós que vivemos nesse estado, pode parecer mais assombroso do que a realidade em que vivemos. O que me deixa mais tranqüila é que ainda tenho esperanças de encontrar novamente com DaMatta e, assim, obter sua resposta. Quem sabe até lá ele não a terá.
* Aluna da disciplina Cobertura Jornalística de Grandes Eventos, campus – Niterói.
Nenhum comentário:
Postar um comentário